BREVE HISTÓRICO

A história da Educação Condutiva está intrinsecamente relacionada à vida de András Petö (1893-1967) e Maria Hári (1923-2001). Em 1945, após a Segunda Grande Guerra, o médico András Peto traduziu seus princípios em uma prática que hoje chamamos de Educação Condutiva, começando praticamente sem recursos e contando com a ajuda de voluntários, sendo um deles a jovem estudante de medicina Maria Hári

András Petö nasceu em 1893 e viveu com sua mãe professora, seu pai zelador de escola e seus três irmãos, na cidade de Szombathely, Hungria, na fronteira da Áustria.

András é descrito pelas pessoas com as quais conviveu como uma pessoa marcante, interessada em pesquisar vários assuntos, revelando um comprometimento social e forte vontade de desenvolvimento pessoal.

Em 1911 matriculou-se na Faculdade de Medicina, em Viena onde, teve a oportunidade de estabelecer contato com Sigmund Freud (1856-1939), Alfred Adler (1870-1937) e Jacob Moreno (1889-1974).

Com Moreno, trabalhou o teatro improvisado com grupos de crianças, o que se supõe tenha sido uma futura semente para o seu trabalho e atendimento em grupos. Petö enfatiza o trabalho em grupo e a troca de papéis, algo que está na base da proposta psicodramatista de Moreno.

Petö especializou-se em ortopedia, neurologia e psiquiatria, ocupando-se, simultaneamente, do corpo e da mente de seus pacientes, algo que só foi possível em razão de sua consistente formação.

Petö aliava à sua personalidade, curiosa e arrojada, uma inteligência sensível sempre em busca de novidades para dar uma melhor qualidade de vida ao ser humano.

Durante a Segunda Guerra Mundial, Petö, como filho de judeus, foi para Paris, onde escreveu alguns temas especializados de medicina. Durante esse tempo, sua biografia descreve o que significou pertencer a uma comunidade judaica, vivendo em uma época marcada pela ditadura de Hitler. Nesse período, conviveu com uma menina que havia sofrido poliomielite. A partir da observação intensiva desse caso, desenvolveu os fundamentos do que chamou de “terapia do movimento”.

Logo depois da Segunda Guerra Mundial, Petö reiniciou, com o apoio do Ministério do Bem Estar Social da Hungria, seu trabalho de “terapia motora”, em Budapeste. O primeiro neurologista infantil húngaro, László Focher, enviou as primeiras crianças para a seção experimental de Petö. Eram crianças encaminhadas dos asilos estaduais, em um total de dezenove, que foram acompanhas de quatro auxiliares, todos estudantes de medicina. Este projeto foi estruturado em programas que organizavam a vida e o trabalho do grupo. Um fato considerado relevante é que, depois de dois anos de trabalho, essas crianças, até então consideradas com dificuldades de aprendizagem, puderam ir à escola regular.

No ano de 1948, foi criada uma cátedra em Terapia Motora, na Escola Superior de Pedagogia Terapêutica. O Ministério de Bem Estar Social da Hungria determinou um orçamento para manter essa disciplina, que foi assumida por Petö, que, além de titular, foi designado diretor do Instituto Estatal de Terapia Motora.

Em 23 de fevereiro de 1950 foi construído o Instituto de Budapeste, projetado por Petö, com capacidade para atender oitenta crianças. Tal centro foi delineado segundo os planos de Petö e com uma perspectiva pedagógica que mudou a organização do ensino das crianças e dos professores (chamados, nesta abordagem, de condutores). Em 1963, depois de uma batalha incansável, o Instituto passou a ser gestionado por Petö, deixando de ser competência do Ministério da Saúde e sendo subordinado ao Ministério da Educação.

O atendimento às pessoas com sequelas de paralisia cerebral era realizado, inicialmente, por enfermeiras, o que gerou dificuldades no atendimento pedagógico. Constatando este problema, Petö passou a contratar professoras. Entretanto, o trabalho ainda não acontecia tal como ele idealizava, surgindo, dessa necessidade, a criação de uma profissão específica que atendesse às exigências da proposta. Petö denominou esse profissional de “condutor” (konduktor, em húngaro). Tal profissão foi reconhecida oficialmente, na Hungria, no ano de 1965.

Petö faleceu no dia 11 de setembro de 1967 (data de seu aniversário), após uma reunião com seus companheiros de trabalho, em uma discussão sobre reabilitação de adultos. Sua saúde estava fragilizada por um período de doenças entre 1964-1965. A doutora Maria Hári assumiu a sucessão de Petö, e, em 1992, Ildikó Kozma a sucedeu.

Mária Jozefa Hári, médica e educadora, nascida em 26 de setembro de 1923, foi a articuladora mais importante da Educação Condutiva. Durante muito tempo, pouco foi sabido sobre esta abordagem fora de Hungria. Hári, dedicada à causa da Educação Condutiva, despertou a atenção por seu trabalho e palestras e, em 1968, foi convidada para uma conferência organizada pela Spastics Society, no Reino Unido, o que resultou em um incrível sucesso.

Sua contribuição foi especialmente reconhecida no Reino Unido. Em 1988, ela foi premiada com um título honoris causa pela Universidade de Birmingham e, em 1994, foi nomeada professora honorária da educação na Universidade de Keele. Ela foi premiada com o OBE em 1990. Mas para milhares de famílias em todo o mundo, ela era simplesmente uma mulher pequena e determinada que lhes deu esperança para uma vida melhor.

Dra. Maria Hári, morreu de câncer, aos 78 anos, no dia 6 de outubro de 2001, como diretora do Instituto Peto, em Budapeste e se tornou o símbolo mundial da Educação Condutiva para adultos e crianças com distúrbios motores, e suas famílias.

Um fato marcante na história da Educação Condutiva aconteceu em 1986, quando um vídeo da televisão BBC divulgou os trabalhos do Instituto Petö a uma audiência maciça, primeiramente no Reino Unido, espalhando-se pelo resto da Europa.

Em 1988, o governo húngaro, com o objetivo de difundir a Educação Condutiva, criou a Fundação Internacional András Petö, à qual pertencem o Instituto Internacional Petö e a Escola Superior de Formação de Condutores. Em 1987, em Birmingham, na Inglaterra, é constituído o Instituto Nacional de Educação Condutiva, uma organização em princípio com parceria do instituto húngaro. O Instituto Petö é atualmente reconhecido internacionalmente e oferece para crianças, jovens e adultos, um atendimento especializado e completo de diagnóstico, terapia, assistência e estimulação sócio-pedagógica-terapêutica.

A Educação Condutiva se desenvolve em vários países, entre eles Israel, Austrália, Nova Zelândia, Áustria, Bélgica, Alemanha, República da Irlanda e Estados Unidos, Noruega, Suécia, Hong Kong, Japão, México, Kuwait e Brasil.

Hári (1998) descreveu Petö como um homem com idéias e práticas um século à frente de seu tempo: tinha “um espírito não conformista” como característica pessoal. Petö pensou e construiu seu sistema com uma visão de Educação que contempla o desenvolvimento integral, definindo a Educação Condutiva como um sistema unificado para atender pessoas com lesão cerebral e alterações motoras afins.

A trajetória histórica da Educação Condutiva possui as marcas humanas das diferentes opiniões e dos diferentes contextos em que se realiza atualmente. O que mobiliza nossa entidade é a inspiração original de Petö, sistematizada por aqueles que o sucederam. Uma abordagem pedagógica que ultrapassou os cinqüenta anos de existência e que se espalhou pelo mundo em diferentes países e seus contextos atuais. Petö aproximou emoção e razão, acreditando que as pessoas, quando motivadas e orientadas, podem encontrar soluções para seus problemas. Petö insistia que um sistema nervoso afetado por uma lesão ainda possuía células de reserva para serem ativadas. É preciso salientar que o conceito de plasticidade cerebral, na época, não era ainda amplamente difundido e os estudos no campo das neurociências ainda pouco avançados. Enfim, esta abordagem pedagógica acredita que todos os seres humanos podem aprender. Nessa perspectiva, as pessoas com seqüelas de paralisia cerebral, pelo desenvolvimento da autoconfiança, podem começar a perceber, sentir e reorganizar seus movimentos.

Fonte: Corrêa, G. M. N. A Educação Condutiva como possibilidade de desenvolvimento e inserção social

http://biblioteca.universia.net/html_bura/verColeccion/params/id/3121/start/120.html

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